Por Genisson Santos
Ficou provado que, ao contrário do que se acreditava, fé dá, sim, audiência. Não é apenas profanismo, sexísmo ao extremo, pancadaria, sensacionalismo jornalesco e a fantasia das telenovelas brasileiras – tão cheias de elementos que vão de encontro aos princípios de ética e moral da sociedade – que é capaz de segurar o público em frente à TV. A Rede Globo pode comprovar isso com o Festival Promessas, exibido no último domingo (18), pela primeira vez na emissora, que até então adotava uma posição intransigentemente resistente aos evangélicos.
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| Nomes consagrados na música gospel participaram do Festival Promessas |
O programa de 60 minutos abriu espaço para a música gospel e para a pregação da palavra de Deus, atingindo bons índices de audiência no horário. Segundo dados do IBOPE, instituto que mede a audiência das redes de televisão na Grande São Paulo, o programa atingiu 13 pontos, o dobro da média registrada na semana anterior no mesmo horário, o que aponta para uma necessidade da emissora investir neste público. Afinal, a religião evangélica foi a que mais cresceu nos últimos tempos, de acordo com o Novo Mapa das Religiões, elaborado pela fundação Getúlio Vargas.
No entanto, o que quero colocar em discussão não é este fato positivo para os evangélicos, mas sim estabelecer uma inevitável e breve comparação no âmbito da fé e da comunicação, entre a Rede Globo de Televisão e a Rede Record, sua principal concorrente.
É extremamente assustador perceber que único espaço dado pela Record aos evangélicos (a saber, à igreja Universal do Reino de Deus – sua principal fonte de sobrevivência financeira), se restringe à alta madrugada, onde se apregoa uma falsa doutrina da prosperidade, baseada na exploração da fé dos seus seguidores.
Pelo menos em tese, a base ideológica do grupo Record é evangélico-cristã. E partindo deste pressuposto conclui-se que a emissora da Barra Funda deveria ser a principal difusora dos princípios e valores bíblicos. No entanto, ao contrário, o que se vê na programação deste canal são apelações a tudo que é profano, em uma busca desesperada por melhores índices de audiência. Ou melhor, em uma tentativa obcecada de se comparar, ou quem sabe, ultrapassar a Globo, copiando e reproduzindo fórmulas, grades, produtos e produtores da concorrente.
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| Bispo Edir Macedo: "vela" pra Deus ou para o diabo? |
Do outro lado, a Rede Globo, mesmo tímida, faz uma aposta no público gospel. Alguém pode dizer que a Globo está visando apenas e simplesmente seus próprios interesses mercadológicos, acendendo assim, uma “vela” para Deus e outra para o diabo. Pela ótica da fé isso pode ser questionado. No entanto, admitindo-se isso, a atitude “farazeônica” da Globo não é causa espanto a ninguém, já que sabe-se que a cúpula global possui tendência religiosa ao espiritismo e até satanismo. Mas o que dizer da “santa” Record? Será que as “velas” que a emissora de Edir Macêdo tem queimado, realmente, tem sido para Deus? Ou será que seu negócio é mesmo com o coisa ruim?


